Revelação




 Segundo Sábado de outubro...


 A boate está cheia todos esperam o show do grande Mr. Marcel.
 Ele convidou Vernon que veio especialmente para acompanhá-lo em duas de suas mais bonitas criações musical

  Enquanto esperava Vernon que também é o pai de Perséfone a sua namorada Mr. Marcel dedilhava sua “Green” Uma Guitar verde customizada, exclusivamente criada para Marcel:
Uma obra prima que saiu das mãos Mágicas de um amigo, com um novo design que foi baseado em opiniões do músico, trazendo mais conforto e melhor “tocabilidade” para ele. Tem um tipo de ponte com vibrato. Essa ponte foi criada para permitir que Marcel possa fazer bends nas cordas, alcançando uma sonoridade semelhante ao som do efeito do pedal das guitarras Steel, O timbre da “Green” é reconhecido pelos ataques com bastante presença e pelo som estalado, que é muito presente nos solos de blues. Combinada com uma boa distorção, a “Green” produz um som cru, visceral.
Isso foi uma das coisas que encanou Perséfone.
Uma moça loirinha de inimitável talento que acompanha Mr. Marcel em seus shows. 
Ela gosta de ver o namorado fazer a “Green chorar”.
 Ele estava tocando ainda quando Vernon chegou com seu Sax prateado, seguro em sua mão direita abaixada até a altura do joelho.
Perséfone olha orgulhosa para o pai!
 Vernon é um negro alto, de olhos expressivos e um sorriso encantador que mostra seus belos dentes brancos.
 Com idade aproximada de uns 55 anos.
Ela ama seu pai e tem um orgulho imenso do som maravilhoso que ele tira de seu instrumento.
 “O sax tem um som único, por possuir propriedades dos instrumentos de metal, tanto quanto os instrumentos de madeira, têm a capacidade e o poder de execução como os clarinetes ao mesmo tempo a potência sonora quase como as das cornetas”.
E seu timbre!
 Ah, seu timbre!  
É “um dos que mais se assemelha ao da voz humana”
                    
Mr. Marcel vê o olhar de admiração de Perséfone a seu pai e pensa:

- Uau! Esse Man deve tocar muito!

  Marcel encaminhou-se para o centro do palco, pegou o microfone e anunciou:

- Boa noite!  Hoje quero apresentar a vocês o meu amigo Vernon.
Nós vamos mandar para vocês, um Blues com Sax.

Todos gritaram e aplaudiram, Estavam esperando esse show a dias...

Mr. Marcel começou a dedilhar...  A plateia ficou em silêncio sabiam que Marcel viajava quando tocava.

- Não conheciam essa música!!!

Porém, permaneceram em silêncio, atentos.  Marcel tocava todos os ritmos em sua “Green” até As Melhores Obras de Violino Solo


Esses ‘riffs’ eram de um blues que ele havia criado há poucos dias para sua Perséfone, meio solado em ‘mi’. Vernon esperou a “deixa” abaixou o microfone e começou a solar no Sax.
Marcel adorou, achou o sogro um monstro.
Olhava-o admirado enquanto solava em sua “Green”. 

   - Diante da admiração do público começaram a duelar;  os dois músicos envolvidos mostravam o feeling e a extrema competência com que apresentavam o seu trabalho.
Com alta qualidade de timbre, distribuição de som e definição das notas.  
A guitarra chorava e o Sax falava.

 Cada um com seu estilo, sua técnica e linguagem necessárias para tocar o gênero.
O público ouvia em silêncio, como se qualquer som fosse estragar o numero apresentado.

Eles tocam esse blues com toda energia e musicalidade de um dos estilos mais bonitos e profundos da música mundial.
Muito inspirados e emocionados por mostrar a esse público encantado a beleza deste estilo.

 Como é o costume de quem improvisa, eles seguem um raciocínio mais linear, sem se preocupar tanto com as mudanças de acordes, sem se preocupar com o pensamento vertical, ou com os acordes propriamente ditos.
Só brincando, às vezes mudando os pentas, para 'um tom e meio' abaixo do tom que estavam tocando.  
Assim soava tudo muito maior!  Uma maravilha! 

 Além do timbre da guitarra que foi algo marcante no show.
Ainda contaram com a presença de um baterista que se mesclava
 a esse novo som.
  De repente os dois param de tocar deixando somente Raymond que é um baixista excepcional!
Possui técnica musical que viaja entre a vertente do Soul e do Funk.
 Ele é muito esmerado ao criar linhas de baixo funkeado, um baixista que possui groove ilimitado o que na minha sincera opinião deveria ser coisa de todo bass.

... Nesse momento ele se perdeu um pouco com o susto do silêncio musical, mas aguentou bonito.

Foi então que Elvin entrou solando na bateria.   Ele sola de uma maneira especial completamente nova que agrada muito.
 O fim desse solo de quatro minutos foi a ”deixa” para que todos voltassem a tocar.
Mr. Marcel chegou bem perto de Vernon e os dois mandam ver! Deixando o público paralisado com a respiração suspensa.
  Mesmo sendo um blues mais agitado, dançante, todos ficavam  quietos apreciando.

- Terminaram!

   Vernon felicitou Marcel dizendo:
- Você toca muito rapaz!
 O GuitarMan  meio envergonhado agradeceu!

   - Como saideira Marcel começou a tocar sua criação mais recente.  “Circle Of Fire”
Quando Vernon viu a magnitude da música, acompanhou o campo harmônico com escalas que se encaixavam e criou de improviso um solo melódico perfeito para “Circle Of Fire” Depois de quase cinco minutos de solo Marcel soltou “Green” na”correia” virando-a para as  costa,  pegou o microfone jogou para cima passando o fio pelo pescoço e começou a cantar.
Ele tem um jeito de segurar o microfone meio de lado, fica abrindo e fechando a mão e mordendo os lábios nos espaços da música, o que deixa Perséfone enciumada porque as meninas gritam.
Ao término da estrofe, Marcel vai para junto de Vernon solar fazendo o público explodir em aplausos.

Na segunda parte e no refrão solavam os dois juntos e a música crescia, crescia....

De repente eles se olharam em cumplicidade e sem aviso seguraram os dois num riff igual.

Alvin aumentou o ritmo da bateria,  foram aumentando gradativamente e eles repetindo o riff Marcel introduziu distorção e começaram a acelerar.
Marcel quase em transe levantando a guitarra joga seus “bend’s” no ar.
- Eu que assistia ao show da platéia, quase podia ver os acordes, Eu os sentia tão profundamente que os imaginava como laser a cortar o salão, em luzes multicoloridas que rebatiam e encontravam cada pessoa existente ali.
Fazendo com que elas também entrassem naquele mesmo transe musical.

= Eles aceleraram até parecer que haveria uma explosão de notas multicoloridas, depois foram aclamando, acalmando, até que se acalmaram e ficaram só viajando na música.
O público pirou, ficavam balançando em cadência rítmica ao som dos bend’s de Mr. Marcel

Até o expectador que prefere um som mais cadenciado, prestou atenção à explosão de Marcel que está inserido no blues vintage (straight blues), aquele lance que era tocando nos anos 40 e 50.

 Pra você tocar assim, tem que conhecer a fundo a linguagem de blues tradicional e não tem como você fazer um show só de jump blues. O que ele toca nos shows é straight blues, jump, Chicago, R&B, tudo nessa onda mais antiga e primitiva. Ele é um expert! 
Quando estava chegando ao final do show Marcel sola como ninguém, sua alma se perde nas notas, nos acordes, sua essência musical sai do corpo e viaja sobre o salão encantando a todos fazendo o público vibrar.

 - Quase sem perceber Marcel abre suas longas asas  e voa por todo recinto sem parar de tocar sua guitarra, sua amiga “Green”. 

O público pensa ser efeito.
Mas Marcel dá voltas sobre o corpo e suas asas “Flapam” Então ficam sem fala!
Uns correm outros paralisam, alguém grita:

- Calma pessoal! Ele é um anjo! Isso é um privilégio.

Vernon para de tocar e fica olhando incrédulo, Perséfone abraça o pai e ficam olhando até que Marcel dedilha suas ultimas notas, quando abre os olhos se depara com seu feito.
Solta a guitarra na “correia” em seu peito, abre os braços e sobrevoa o salão enquanto põe suas ideias em ordem, não sabe o pensar, foi instintivo.  Ele não queria fazer isso.
Deixar que vissem que ele é um anjo.
Mas ao notar que todos o aplaudem, volta ao palco se desculpa com Vernon por não ter contado, diz a Vernon que é difícil alguém aceitar essa sua natureza de anjo.
Vernon nada diz, está ainda sem acreditar em tudo que ele viveu ali, nunca tocou com tal veemência em sua vida, e também não acreditava em anjos desde que sua esposa morreu.
Olha para Perséfone como que querendo saber sua opinião. Perséfone solta o pai e vai até Marcel abraçando-o.
Vernon entende a filha. 


O público os aplaude, então Vernon diz a ele:
- cuida da minha menina rapaz!
Pega seu Sax, dessa vez não carrega na mão como uma bolsa, coloca-o junto ao peito e vai embora cantarolando...

Criado por Katia Kristina Piereth  Adaptado para Marcelo de Souza por pedido de Manuela Mayowrn